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Coros escolar/curricular

Em Portugal, os primeiros coros escolares surgem no contexto da ação "civilizadora" e "moralizadora" da escola pública (Artiaga 2014). Foi enquadrado no currículo do ensino primário público de modo descontinuado, como aconteceu com a reforma do ensino primário de 16 de Agosto de 1870, de D. António da Costa. Nesses anos, mereceu um repertório especifico escrito por autores como Feliciano de Castilho: "Do conjunto dos cânticos [de Castilho e Santos Pinto], destacam-se os hinos para serem cantados em momentos precisos da actividade lectiva: no início das aulas (Invocação a Deus), com o objectivo de levar as crianças a chegarem cedo à escola; no fim dos estudos (Graças ao levantar da Escola) [...] na entrega dos prémios para recompensar aqueles que melhor soubessem ler e escrever (Hymno para a distribuição dos prémios). [...] Outros hinos tinham como função pontuar os diferentes momentos do dia, ou louvar a prodigalidade da natureza, como era o caso de Cântico da Manhã ou Cântico da Noite, Cântico das Flores Novas, Cântico da Fructa e Hymno dos Lavradores. Outros [...] como o Hymno da Caridade, o Hymno do Trabalho e o Valle Funebre, [contribuíram] com a sua entoação para a agregação da escola com a comunidade, revestindo-se de valores cristãos, solidários e sociais (Ibid.).

Na viragem do século XIX para o século XX, instituições públicas e privadas de acolhimento e ensino de menores, viram no canto em coro um meio de angariação de fundos, estimuladas por eventos como o Prémio Xavier da Mota, organizado anualmente no Ateneu Comercial do Porto, em parceria com o jornal O Comércio do Porto entre 1896 e 1974. Neste evento amplamente noticiado nos periódicos regionais, realizado na sede do Ateneu Comercial e salas de espetáculo do Porto, instituições escolares de benemerência com candidatos ao prémio apresentaram, anualmente vários números musicais executados pelos seus educandos e professores. A entrega do Prémio Xavier da Mota foi, da primeira à última edição, acompanhada por um espetáculo com música. Ao longo dos anos de edição deste Prémio, os coros infantis escolares conquistaram o espaço performativo. As transformações observadas a nível performativo refletiram-se no repertório executado. Até 1924 Eduardo da Fonseca371 foi o responsável pelo repertório vocal. Durante esse período executaram-se "canções portuguesas" de compositores portuenses (Eduardo da Fonseca, Óscar da Silva, Ernesto Maia; Armando Leça). Com o alargamento da "aula de música" ou "canto coral" a grande parte das instituições com educandos concorrentes ao Prémio Xavier da Mota, aumentou o número de intérpretes, de compositores e de regentes. Alguns dos coros escolares que se apresentaram ao Prémio Xavier da Mota vieram, mais tarde, a emancipar-se das instituições de acolhimento, como aconteceu com o coro Pequenas Cantoras de Portugal, inicialmente integrado no Recolhimento de Nossa Senhora das Dores e S. José das Meninas Desamparadas do Postigo do Sol.

O Decreto nº 4 650 de 14 de julho de 1918, institui a disciplina de Canto Coral no ensino liceal. Depois dessa data foram organizados coros em diferentes instituições de ensino liceal, alguns deles sob a designação "orfeão". Mas foi depois da fundação do Centro de Estudos Gregorianos em 1954, nomeadamente com as Jornadas Infantis Ward, que os coros escolares e infantis começaram a merecer métodos de ensino-aprendizagem específicos. Destacou-se entre 1838 e finais da década de 1940, o Grupo Musical Feminino, do Conservatório de Música do Porto, dirigido por Stella da Cunha. Depois de Abril de 1974, aumentou exponencialmente o número de coros escolares, em grande parte devido à reforma do ensino especializado de música.

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